Isso que acontece quando você chama a polícia: uma perspectiva para além da “desmilitarização”

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A Polícia é o aparato de repressão do Estado. Isso é um fato. A classe dominante, seja ela qual for a detentora do poder político no momento, é quem dá as ordens.

Por isso, é irrelevante se as forças policiais vão ter aulas de direitos humanos ou não, se vão ser bem tratadas em seus treinamentos ou não, se vão seguir a lei ou não. É claro que há diferenças entre as polícias. A PM brasileira é muitas vezes mais violenta que a polícia inglesa, por exemplo.

Mas o cassetete do Estado não golpeia manifestantes nas ruas de Londres quando ocorrem revoltas?

Se eu sou um revolucionário brasileiro e preciso fugir do país, digamos que eu me refugie na Islândia. Não iria a polícia islandesa, toda bondosa e cordial, me prender para que eu fosse deportado novamente ao Brasil?

Não é a Suécia, com um dos melhores IDH do mundo, quem pediu a prisão de Julian Assange para a Interpol?

A polícia francesa pode não utilizar grupos de extermínio como a de São Paulo, bem como a cubana também não mata como a carioca, mas isso não impediria que uma ameaça ao status quo fosse neutralizada, de uma forma ou de outra.

Voltemos ao Brasil.

A esquerda socialdemocrata compartilha com empolgação que a maioria dos policiais militares do Brasil são a favor da desmilitarização. Seriam eles nossos amigos? De forma alguma.

O policial militar, que espanca a juventude pobre e negra, não quer o fim disso. Ele defende a desmilitarização porque quer o direito a greve. Porque não quer apanhar dos seus superiores. Porque não quer pressão sobre ele.

Mas basta observar como age a Polícia Civil e a Federal, ardentes defensoras dos capitalistas e burocratas, para perceber que isso não amenizará a dor do porrete.

BRASIL

Façamos uma breve observação sobre as ações da Polícia brasileira para compreendermos que eles não são nossos aliados e nem deve haver solidariedade de classe com esses.

POLÍCIA MILITAR

Em Outubro de 1992, a PM invade o presídio de Carandiru e mata 111 presos. Durante seu julgamento em 2013, os policiais disseram que não sabiam informar quem atirou ou como tudo ocorreu. Mais de cem mortos e todos disseram que não viram o que ocorreu. Mas a instituição fez questão de defender os acusados.

Em 1993, seis crianças de rua são mortas na Chacina da Candelária. No mesmo ano, 21 moradores de Vigário Geral são assassinados. Em 1996, 19 sem terras mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás.

No livro de Caco Barcellos, Rota 66 – A Polícia que mata, dezenas de casos de assassinatos realizados pela Polícia Militar de São Paulo são apresentados, onde contam com suporte do alto escalão.pm-rio

No atual ano de 2015, dezenas mortos em uma chacina. Há dois anos atrás, 20 policiais da UPP do RJ são suspeitos de torturarem e matarem Amarildo.

Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, conhecido como Coronel Telhada, é eleito vereador em SP pelo PSDB. Em entrevista a TV Folha, ele defende a Ditadura Militar.

Comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Benedito Roberto Meira, após se aposentar, anuncia que irá participar da construção do Partido Militar, de extrema direita, que contará com participação de grupos como os Carecas do Brasil e Integralistas.

Em 2014, a assessoria da Polícia Militar de São Paulo afirma que as acusações contra ela “é o discurso desses chamados ’intelectuais orgânicos’, como costumam se denominar, em consonância com as ideias revolucionárias do italiano Antonio Gramsci, que ecoaram pelo mundo a partir da década de 1930”.

A Polícia Militar brasileira mata e tortura na favela. Em manifestações, utiliza violenta repressão, como nos dias de Junho de 2013, protegida pela Corregedoria omissa.

Suas páginas, como a “Faca na Caveira”, compartilham abertamente ideologias de extrema direita.

É muita ingenuidade crer que todos esses policiais irão se transformar em amigos da vizinhança apenas porque lhes foi dado o direito de fazer greve com a desmilitarização.

Não vão.

POLÍCIA CIVIL

Vejamos então como se comporta o perfil do que toda a polícia brasileira deveria ser.

Dia 23 de Janeiro de 2014, policiais civis do DENARC (Divisão Estadual de Narcóticos) reprimem com bombas usuários da cracolândia, em São Paulo.

Em 27 de Maio de 2014, a Polícia Civil do Rio de Janeiro admite em relatório que quebrou o sigilo de manifestantes.

Também no ano de 2014, veio a tona que a Polícia Civil carioca grampeou ilegalmente as conversas entre manifestantes e seus advogados, escandalizando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Voltando no tempo, em 1997, a ONG Human Rights Watch/Americas constatou que a Civil tortura mais do que a PM no país. policia-civil-de-são-paulo-requisitos-para-o-concurso

Entre março e maio de 96, por exemplo, a Polícia Civil foi responsável por 35 casos de abuso de autoridade e 24 casos de espancamentos e torturas. (…) Em Belo Horizonte, houve 11 desaparecimentos em sete anos. Ali, 500 dos 3.500 policiais civis da cidade foram indiciados por atividades criminais. [ Folha de SP, São Paulo, terça, 8 de abril de 1997.]

Em 2013, mais recentemente, o jornal Extra demonstrou que policiais civis alteraram a cena do crime após a morte de moradores de favela durante um tiroteio que envolveram 28 agentes.

Aparentemente, desmilitarizar não parece a solução.

POLÍCIA FEDERAL

Em Abril de 2007, uma matéria da IstoÉ traz a tona a existência de esquadrão da morte no alto escalão da Federal, com casos de torturas realizados em Mato Grosso do Sul.

Também em 2007, no mês de Agosto e em Brasília, policiais federais praticaram torturas contra suspeitos de furto. Eles eram inocentes, apesar disso, foram submetidos ao famoso “saco” do ‘Tropa de Elite’, e espancados.

Em 2015, durante um protesto na Receita Federal, 15 integrantes do MST são presos pela Polícia Federal. Também em 2015, a Polícia Federal realiza uma desocupação feita por manifestantes na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com saldo de dois presos.8mar2015---policiais-militares-realizaram-na-manha-desta-quinta-feira-a-ordem-de-reintegracao-de-posse-da-reitoria-da-ufpe-universidade-federal-de-pernambuco-na-zona-oeste-do-recife-os-cerca-de-40-1444312406331_1024x7

Em uma matéria de 2002 da IstoÉ, foi revelado que a CIA continua a atuar no Brasil, oculta dentro da Polícia Federal. Segundo a revista:

“A bisbilhotice da CIA continuou, e sempre ‘incrustada dentro da Polícia Federal’, como definiu o delegado Wilson Ribeiro, da Divisão Disciplinar da PF, no relatório de um caso recente. (…) O corregedor da PF que investigou a atuação da CIA, Artur Lobo Filho, hoje aposentado, diz que os americanos ainda mandam no órgão e suspeita que a sindicância aberta por ele foi engavetada para acobertar o escândalo.”

Ser uma célula do imperialismo yankee no Brasil, além de tortura e assassinato, não é o melhor exemplo de “polícia humanitária”. Mas poderíamos dizer sim polícia qualificada e que cumpre o seu papel: preservação do sistema de exploração e dominação.

MUNDO

Isso não é algo do Brasil. O Estado é, foi e sempre será o instrumento das elites por excelência, bem como a Polícia sua arma.

Agora veremos o que seria a tal polícia amiga que os setores de esquerda estatal tanto pedem no país.

ESTADOS UNIDOS

Após o assassinato de Michael Brown, afro-americano, pela polícia norte-americana em Ferguson (Missouri), milhares se EUArevoltaram pelas ruas da maior potência do mundo. Em resposta, o governo norte-americano decretou estado de
emergência. As ruas da “nação da liberdade” se tornaram um campo de guerra.

Em Novembro de 2011, a polícia de Seattle reprimiu uma manifestação do Occupy, que se revoltava contra os crimes da elite financeira. Uma mulher de 84 anos, uma grávida e um padre foram atacados com gás de pimenta pelas forças de segurança.

CANADÁ

Em 2011, foi criada a unidade de polícia GAMMA, com o objetivo de perseguir e prender anarquistas

???????????????????????????Em Maio de 2012, a polícia de Quebec realizou 106 prisões de manifestantes, bem como 9 feridos. As razões dos protestos eram o aumento de 75% dos preços das universidades.

Em 2013, o Canadá aprovou uma lei na qual manifestantes mascarados podem pegar até 10 anos de prisão, permitindo a polícia de reprimir descaradamente.

Durante protesto em Março de 2015 contra a austeridade, a polícia usou de violência contra a marcha.

MÉXICOmexico

Em 2014, após a prisão e possível assassinato de 43 estudantes pela polícia em parceria com os cartéis de droga, manifestantes foram reprimidos pela polícia em Acapulco, sul do México.

Em Maio de 2015, protesto dos professores é violentamente atacado pelas forças de segurança. Mais de 100 foram detidos.

CUBA

cubaSegundo a Anistia Internacional, mais de 65 jornalistas independentes foram presos pela repressão entre 2011 e 2012.
Em julho de 2015, 110 foram presos pelo regime durante uma manifestação, e alguns brutalmente agredidos pela polícia.

Durante a visita do Papa em Setembro de 2015, 50 manifestantes foram presos e impedidos de se aproximar da onde estava a liderança católica.

ARGENTINAargentina

Em 2015, Agosto, a polícia reprime protestos na província de Tucumã. Manifestantes acusavam as urnas de terem sido fraudadas.

Entre 1983 e 2013, a polícia argentina assassinou 4.011 pessoas.  Em 39% das mortes, as vítimas estavam em custódia do Estado.

VENEZUELA

VenezuelaEm 2015, milhares de imigrantes colombianos fogem da repressão policial do governo, que trouxe barracos inteiros abaixo. Inúmeros informaram que sofreram tortura.

Protestos em 2014 foram violentamente reprimidos, tendo como resultado dezenas de mortos e milhares de presos e feridos. A revolta era contra a crise econômica na qual o país está submetido.

BOLÍVIAbolivia

Em 2011, estudantes e grevistas convocaram protestos contra o governo após cruel repressão contra protestos indígenas contra rodovia que irá cortar a Amazônia boliviana.

Após um decreto governamental impondo 8 horas de trabalho diária, no ano de 2012 grevistas e estudantes novamente são atacados pela polícia boliviana, resultando em 10 feridos.

Em Julho de 2015, mineiros em greve são confrontados pelas forças do governo em La Paz. A polícia utilizou gás lacrimogênio.

COLÔMBIA
colombia

Em 2013, dois trabalhadores rurais foram mortos e oito ficaram feridos após a ação policial durante protesto contra o regime.

No mesmo ano, o presidente mobiliza 50 mil soldados para garantir a repressão contra camponeses. Milhares de manifestantes foram as ruas em solidariedade e o caos se instaurou no país, em um mar de violência por parte do governo.

ISLÂNDIAislândia

Após a crise em 2008, milhares foram as ruas no ano seguinte contra os banqueiros e o governo. A tropa de choque avanço e o resultado foram 20 presos e outros 20 feridos.

Dois dias depois, um novo protesto foi reprimido com gás de pimenta e lacrimogênio.

O país é considerado um dos melhores para se viver do mundo, e com uma das melhores polícias de todas.

INGLATERRA

InglaterraEm Maio de 2015, manifestantes protestam contra a reeleição do Partido Conservador, e acabam confrontados pela polícia. Ao todo 17 foram presas.
Em 2013, manifestantes aos milhares foram as ruas contra o Capitalismo. Novamente, a repressão ocorreu e 30 pessoas foram presas.

Importante lembrar o caso de Jean Charles, que em 24 de Julho de 2015 foi assassinado pela polícia. Apesar disso, os responsáveis foram promovidos.

FRANÇAfrança

Em 2005, jovens da periferia da França se revoltam contra a violência policial. Após vários confrontos, 2888 são presos e um morto.

Em 2014, durante protestos contra os ataques de Israel em Gaza, a polícia francesa dispersou 3 mil manifestantes com gás lacrimogênio. Foram presos 33 pessoas.

No final do mesmo ano, o assassinato de um ecologista pela polícia resultou em protestos, no qual 40 foram presos.

ITÁLIA

italiaNo Primeiro de Maio de 2015, confrontos explodem nas ruas de Milão. A polícia lançou gás contra os manifestantes.

No ano de 2011, milhares de pessoas foram as ruas de Milão e Roma contra a austeridade. Os cassetetes policiais baixaram sobre a massa.

Dez anos antes, em 2001, durante protesto contra o G8, Gênova, a polícia italiana utilizou de bastante violência e tortura contra a população. Um manifestante foi assassinado, 93 presos e dentre estes, 61 hospitalizados após serem terrivelmente espancados.

SUÉCIAsuecia

Em Agosto de 2014, durante um protesto antinazista com 2 mil pessoas em Malmo, a cavalaria atacou os manifestantes, deixando vários feridos.

No começo de 2013, após o assassinato de um imigrante pelas forças policiais, ondas de milhares de manifestantes surgiram por toda a cidade de Estocolmo. Moradores afirmam que a violência policial contra imigrantes vinha aumentando.

SUÍÇA

suíça

Durante protesto contra o Fórum Econômico Mundial de 2001, em Davos, a polícia utiliza gás lacrimogênio e balas de
borracha, deixando dezenas de feridos e 100 presos. O forte arsenal fora montado para garantir a reunião do alto empresariado mundial.

No Primeiro de Maio de 2011, após reprimir manifestantes anticapitalistas, a polícia suíça detém cerca de 500 pessoas.

ESPANHAEspanha

A polícia de choque de Barcelona entrou em confronto com manifestantes em 2011, em um dos muitos acampamentos improvisados que surgiram na Espanha para protestar contra o elevado índice de desemprego. Ao todo, 99 pessoas
ficaram feridas.

Em meio a protestos e greves antiausteridade em 2012, a polícia ataca manifestantes e prende mais de 100 pessoas.

Em 2013, equipados com capacetes, escudos e armas de balas de borracha, os policiais agrediram com cassetetes vários manifestantes.

GRÉCIA

GréciaNo ano de 2015, durante o governo do partido Syriza, 12 mil pessoas foram dispersadas com gás em um protesto contra a austeridade pela polícia.

Em 2008, um jovem anarquista de 15 anos foi assassinado por policiais. Dois anos depois, enquanto faziam um ato em comemoração ao aniversário da morte dele, a polícia dispersa com gás lacrimogênio.

Segundo o jornal The Guardian, da Inglaterra, a polícia tem mantido relações próximas do partido neonazista Aurora Dourada, especialmente para lidar com os imigrantes no país.

HUNGRIAHungria

Em Setembro de 2015, imigrantes que tentavam entrar no país foram brutalmente recebidos pela polícia com gás
lacrimogêneo e jatos de água. Cerca de 30 detidos.

Segundo a Reuters relatou que centenas de policiais da tropa de choque, apoiados por unidades especiais antiterrorismo com veículos blindados e canhões de água, avançaram em direção à multidão de migrantes em Roszke. Os imigrantes estavam do outro lado de uma grade de metal construída pelo governo de direita da Hungria para mantê-los afastados.

RÚSSIA

RussiaEm Maio de 2015, a polícia reprimiu com agressividade uma parada lgbt, resultando em 20 presos. Nos últimos anos, o governo conservador de Putin vem escalando a repressão aos homossexuais e transsexuais.

Durante a posse de Putin em 7 de Maio de 2012, a polícia prendeu 120 manifestantes sob o argumento de “desobediência”. No dia anterior, foram 400 presos.

Em 2013, movida por xenofobia, a polícia fez uma operação que resultou em mais de mil imigrantes de origem muçulmana presos. Representantes de direitos humanos vem alertando sobre o crescimento do preconceito étnico no país.

TURQUIA

Durante manifestações em Agosto de 2013 contra o governo Turquianacionalista e em apoio aos curdos, a polícia reprimiu e
prendeu mais de 40. Meses antes, a violência do regime deixou quatro mortos e milhares de feridos após manifestantes ocuparem a Praça Taksim.

Em 2015, a polícia turca intensifica sua repressão à minoria curda chegando ao ponto de agredir os sobreviventes do ataque de um ataque terrorista jihadista logo após a morte de mais de cem.

24 de Julho de 2015, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar centenas de manifestantes reunidos em Istambul para denunciar a violência praticada pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

IRÃ

IrãAlegando fraude nas eleições de 2009, milhares de iranianos vão as ruas. O resultado inclui vários mortos e centenas de detidos.

No ano de 2015, 2 mil professores vão as ruas em protesto contra o governo e, após forte repressão, mais de 200 são detidos.

No mesmo ano, uma curda morre ao tentar escapar de um estupro realizado por policiais iranianos, gerando confrontos da minoria contra o regime.

ARÁBIA SAUDITAARABIA SAUDITA

No dia 09 de Fevereiro de 2012, um cidadão morreu e outros três ficaram feridos quando a Polícia abriu fogo contra uma
manifestação.

Em resposta as manifestações da Primavera Árabe, a polícia saudita começa a circular por todas as praças e proibindo os protestos contra a Monarquia. No mesmo ano, 2011, mulheres que decidiram ir as ruas pelo direito de dirigir (no país, lhes é proibido isso) foram presas para serem intimidadas.

BAHREIN

BahreinNo ano de 2014, jovens vão as ruas do país contra o absolutismo do regime. A polícia respondeu com bombas de gás
lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Três anos antes, em 16 de Março de 2011, o rei ordenou que os policiais abrissem fogo contra manifestantes, que resultou em 3 mortos e dezenas de feridos.

Logo após, o governo impõe toque de recolher e as forças de segurança começam patrulhar as ruas.

ISRAELISRAEL

02 de Maio de 2015. Judeus etíopes organizam uma manifestação contra o racismo, após um negro ter sido agredido pela
polícia. Vários manifestantes foram presos e a multidão foi dispersada com gás lacrimogêneo.

12 de Outubro de 2015. A polícia israelense matou um adolescente palestino a tiros em Jerusalém e ferem uma jovem.

22 de Outubro de 2015. Um israelense confundido com um palestino foi morto pela Polícia de Jerusalém.

EGITO

EGITOEm 14 de Agosto de 2013, 30 pessoas são mortas pelas forças policiais e centenas ficam feridas.

O novo governo militar anunciou logo após a imposição de um toque de recolher no Cairo e mais dez províncias do país depois de 278 pessoas terem sido mortas na repressão aos protestos pelo restabelecimento da democracia no país desencadeados pela Primavera Árabe de 2011.

Ao longo dos protestos que vem ocorrendo no Egito, milhares foram presos e inúmeras mulheres foram estupradas como tática de repressão promovida pela polícia do regime.

ARGÉLIAArgélia

Maio de 2001. Doze pessoas são mortas e dezenas ficaram feridas após a polícia reprimir protestos em Cabília.

Em 2011, milhares de argelinos se concentraram na praça Primeiro de Maio uma hora antes de começar o protesto, mas foram impedidos de percorrer as ruas pelos cerca de 30 mil policiais e tropas de choque que tomaram a cidade neste sábado. O resultado foi mais de 400 presos.

ÁFRICA DO SUL

África do Sul21 de Outubro de 2015. Milhares de estudantes que protestavam nesta quarta-feira contra a alta do preço das matrículas universitárias entraram em confronto com a polícia em frente a sede do parlamento. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão. Seis pessoas foram presas.

04 de Maio de 2015. A polícia da África do Sul prendeu 745 imigrantes ilegais em uma operação executada ao longo das últimas semanas para restabelecer a ordem após a onda de ataques contra residentes estrangeiros no país.

16 de Agosto de 2012. A polícia sul-africana atirou contra mineiros em greve, causando a morte de 34 pessoas.

ÍNDIA

18 de Abril de 2015. Polícia abre fogo contra manifestantes na região da Caxemira. Jovem de 16 anos morre e três pessoas ficam feridas.índia

05 de Fevereiro de 2015. A polícia indiana prendeu 200 pessoas por participarem de uma manifestação contra a violência que os cristãos sofrem no país.

Em Agosto de 2015, a polícia de Mumbai, a mais importante cidade indiana, invade os quartos de hotel em busca de casais que não são legalmente casados. Cerca de 40 casais já foram detidos e posteriormente liberados, após pagamento de uma taxa de US$ 18 (R$ 62 reais).

CHINA

china08 de Março de 2015. 10 jovens são detidas durante protesto feminista.

Em 2014, foram detidos pela polícia 955 defensores dos direitos humanos.

Também em 2014, após meses de protestos por eleições livres em Hong Kong, o governo local realiza essa semana uma operação policial para pôr fim às zonas de ocupação pacífica na cidade. Foram registrados confrontos entre manifestantes e autoridades na península de Kowloon e dezenas de pessoas foram detidas, inclusive líderes estudantis.

07 de Julho de 2009. Manifestação pacífica de minoria muçulmana enfrenta repressão policial, que provocou 156 mortos e 828 feridos.

MYANMARmyanmar

10 de Março de 2015. A polícia de Myanmar anunciou ter detido cerca de 70 estudantes, na sequência da repressão de uma marcha estudantil no centro do país. Cerca de 150 manifestantes, que protestam contra uma reforma educativa considerada antidemocrática.

Setembro de 2007. A repressão militar das manifestações de monges na Birmânia causou pelo menos sete mortos em Rangum.

TAILÂNDIA

An armed Thai police officer, center, aims his rubber bullet rifle as medical team carry a injured person on a stretcher during a clash between police force and anti-government protesters Tuesday, Feb. 18, 2014 in Bangkok, Thailand. Clashes between police and anti-government demonstrators in Bangkok left two people dead and 57 others injured Tuesday as riot police attempted to clear out protest camps around the Thai capital. (AP Photo/Apichart Weerawong)

A polícia, em 2013, agiu contra manifestantes que tentam derrubar o governo. Policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para combater a multidão. Pelo menos 3 mortos e 54 feridos.

Em 2004, ao menos 78 pessoas morreram sufocadas após um tumulto ocorrido no Sul da Tailândia, depois que a polícia e militares dispersaram a tiros manifestantes.

AUSTRÁLIA

AustraliaMarço de 2012. Estudante brasileiro é assassinado pela polícia de Sydney no dia 18. Ele morreu após levar choques de armas de choque Taser, ao sair de uma loja conveniência de onde teria levado um pacote de biscoito.

Em 2011, manifestantes que ocupavam uma praça em Melbourne contra o sistema financeiro, são reprimidos pela polícia

FIM DA POLÍCIA

Não seria possível colocar aqui todos os governos do mundo, mas a regra é a mesma. Nos cinco continentes, nos governos de esquerda ou direita, progressistas ou conservadores, seculares ou religiosos, os fatos confirmam que a polícia é e sempre será o cão de guarda da classe dominante.

Os porcos fardados são inimigos da Revolução, e portanto, inimigos da classe trabalhadora.

Não basta desmilitarizar a polícia.

All Cops Are Bartards (ACAB)

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2 Comentários

  1. Depois que a policia acabar quem vai prender os criminosos? Quem vai impedir que me matem ou roubem a minha casa? Quem vai prender/aplicar a lei ao pai que não paga pensão? E os políticos corruptos, os estupradores e pedófilos? Ah, tem também serial killer e aqueles doidos que compram uma metralhadora (ou espada) e entram nas escolas – esses não estão não ai pro IDH do país – atirando em tudo e todos, como fica?

  2. Ixi…censura de comentário?

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