Uma Mentira se torna Verdade – Mas em efeito oposto

Diante da mais nova crise que vem atingindo o país, sou obrigado a tecer algumas observações pertinentes.

Uma parcela da Mídia, encabeçada principalmente por veículos como Estadão e Veja, vem construindo um “inimigo nacional interno”, o Partido dos Trabalhadores (PT). Até aí, nenhuma novidade. Todavia, não se pode negar que há um esgotamento da Política Partidária. Isso se manifesta no senso comum que diz que “políticos são todos iguais”. É comum em revoltas em periferias, muitas vezes, uma recusa por parte dos moradores em aceitar apoio de qualquer partido que seja, considerando-os “oportunistas”.

E isso gera diversos poréns e entretantos.

A direita de oposição (PSDB-DEM) e a extrema direita (Bolsonaros, Paulo Batista, Lobão, etc) querem usar essa insatisfação de forma a associar o PT com esquerda, e justificar uma tomada de poder. Claro, de formas diferentes e com perspectivas de governos igualmente diversas, mas com uma estratégia semelhante.
Se a esquerda fala X e o PT também, se torna fácil convencer que X é uma armação do PT e com isso enfraquecer pautas necessárias e importantes, como Bolsa Família ou Reforma Agrária.

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O PT busca convencer que há uma conspiração em andamento, liderada por uma oposição “elitizada” e financiada por “agentes externos”. Não é nenhuma novidade. É  um método em comum utilizado por rivais do Imperialismo norte-americano, que usam isso como forma a justificar repressões. Venezuela, Coreia do Norte, Rússia e Irã estão entre os adeptos desse discurso.

Por um lado convence parte da esquerda, que acaba atrelada ao Governo Petista temendo um pior (ascensão tucana – mais provável – ou de algum extremista – menos provável). Por outro lado, isso ridiculariza e banaliza as falas da esquerda, fazendo-a ser associada pela população ao PT (e fortalecendo a jogada da direita opositora).

Imaginemos o atual Governo Dilma como um navio que está afundando. Todos os militantes e organizações de esquerda que optam em defende-lo vão afundar junto. Sem uma alternativa real, a direita opositora inova e apresenta uma “solução”.images-cms-image-000406773

Tenta-se argumentar que a população é reacionária e conservadora, o que não é bem verdade.  Apesar de boa parte do eleitorado de Aécio em 2014 ter sido da classe média reacionária, muitos pobres e miseráveis votaram nele acreditando ser uma “salvação”.
Da mesma forma, a esmagadora maioria dos parlamentares eleitos no Congresso Nacional não receberam maioria dos votos, mas entraram devido ao “quoficiente eleitoral”. Não podemos esquecer, aliás, da esmagadora quantia de Brancos, Nulos e Abstenções.

Não podemos esquecer, também, quem está por trás do pedido de Impeachment. Não é o “Imperialismo”, nem os Tucanos, nem a elite empresarial e banqueira do país (parceira do próprio governo).
Quem está convocando os protestos são organizações de extrema direita. O Revoltados Online surgiu dos organizadores da Marcha da Família 2014, enquanto o Movimento Brasil Livre nasce da cooperação entre a Família Bolsonaro e ultraliberais associados a Paulo Batista. Eles apenas se aproveitam do senso comum conservador da classe média para organizar seus atos. Quanto mais o PT acusa de ser uma conspiração tucana, mais ele empurra eleitores do Aécio para as manifestações dos extremistas.

Primeira Conclusão: Insistir em defender o PT de forma “crítica”, longe de impedir o fortalecimento da direita, o reforça.

Ao mesmo tempo, há um desgaste na politica partidária, como já dito. O PT se disse de esquerda, chegou ao poder e fez mais do mesmo. Na mente da população “direita e esquerda é tudo igual”. E partido também. No momento que os partidos de esquerda tentam “enfiar” as bandeiras entre a população, são vistos como oportunistas como todos os outros. Para quem entende de política pode ter uma diferença, mas para quem não entende, não tem.

Enquanto se tenta perder tempo dizendo “nem todo político é assim”, pra tentar justificar o seu partido de esquerda, era muito mais fácil se aproveitar da insatisfação aos políticos e explicar o papel do empresariado na sujeira toda, e apresentar uma alternativa mais radical e revolucionária. Mas isso conspiraria contra o objetivo marxista e socialdemocrata de Partido como vanguarda da Revolução.

É claro que quando digo apresentar uma alternativa revolucionaria, digo a população pobre e periférica. A classe média, em regra, vai repudiar essa postura.

Conclusão 2: Em vez de se aproveitar da crise nas instituições, a vasta maioria da esquerda atrapalha o avanço ao tentar promover seu partido político e insistindo na democracia representativa.

É preciso que a esquerda desça de seu altar intelectual. Nem todo eleitor do Aécio é um conservador. Aliás, a maior parte da população não sabem o que é direita e esquerda nem sabem o que é o que, pois não frequentam os Diretórios Acadêmicos das Universidades Públicas.

Enquanto não for capaz de superar seu orgulho intelectual e não aprender a conversar com o povo com humildade e cautela, não irá estar junto com as massas.

E enquanto não romper com o Governo do PT, estará condenada a cooperar com o surgimento do próprio inimigo que diz combater: a extrema direita.

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