O Internacionalismo nos dias de hoje

IWA logo Um dos grandes problemas atuais é a dificuldade se ver como parte de um planeta único. Aqui no Brasil, duas posturas costumam ser frequentes. Temos aquele indivíduo que, reconhecendo os inúmeros problemas de nosso país, logo conclui que somos a vergonha do mundo e trata de enaltecer os países do exterior. Em contrapartida, há outro que afirma que devemos nos orgulhar de nosso país, amá-lo e se apegar a um certo tipo de patriotismo. Trato logo de rejeitar ambas as posições. Explico. Nosso mundo é dividido em diversas regiões, chamadas de países, que permanecem sob o controle de um poder dito soberano, denominado Estado, cuja missão é administrar, legislar e vigiar a vida de milhões de cidadãos. Esse poder é garantido, em caso de desafio, pelo emprego das forças armadas e policiais, que tem como objetivo esmagar toda e qualquer revolta popular.

Os gestores desse aparato estatal, os burocratas, normalmente chamados de políticos (mas não se limitando a estes), permanecem como senhores e mestres de todas as populações. Atuando sozinhos ou, como na maioria dos casos, em conjunto com outras elites (especialmente a empresarial e banqueira, chamada de Burguesia), roubam, saqueiam e violentam todos os povos do planeta. O Brasil é destruído pelos corruptos no poder? De fato, mas o mesmo pode se dizer de todos os outros lugares. Olhe para a África, para a Ásia, Oceania ou mesmo para nossos irmãos latino-americanos. Até a Europa ou América do Norte, tidas como “avançadas” e “civilizadas”, só chegaram aonde chegaram por seus espólios ao dito “Terceiro Mundo”.

O que dizer de Wall Street, nos Estados Unidos, causadora da grande crise de 2008? Ou da Suíça cujos bancos sobrevivem graças ao crime organizado internacional e das corrupções de todos os países? Vivemos em um mundo no qual todos, em todos os cantos da Terra, são direta ou indiretamente escravos. Hoje, mais do que em qualquer outra época, assistimos todos os dramas passados, presentes e futuros se encontrarem e coexistirem, para a tristeza do povo pobre e oprimido.

Nas terras do chamado “Ocidente”, os Estados Unidos e sua eterna companheira, a União Europeia, continuam seu projeto de mercantilização do mundo, dia após dia. Permeados por uma falsa disputa – pois a chamada Social-Democracia já não é mais esquerda – dois partidos rivais disputam o poder para decidir qual promoverá o projeto neoliberal no mundo. Ainda que às vezes haja um breve momento de bem-estar keynesiano, o plano de livre mercado continua sendo o norte momento após momento. Os chefes desse esquema são os mesmos que formam o G7 e o misterioso Clube Bilderberg. Os mesmos que comandam o vasto setor financeiro internacional, que estão por trás do FMI e da OMC. Os empresários e banqueiros norte-americanos e europeus, responsáveis por boa parte das barbáries que ocorrem por todo o planeta.

Todavia, quais são as nossas alternativas? A coalizão “anti-americana” liderada por Rússia e China não se revelam como melhores opções. Coordenando a cooperação entre regimes populistas e autoritários à direita e à esquerda, cujo único ponto de convergência é o inimigo em comum, a ascensão desses governos – e de quaisquer outros – não podem oferecer saída melhor ao mundo. Se triste ainda não fosse, vemos o crescimento assustador da extrema direita nazifascista por toda a Europa de um lado, e do outro, o do fanatismo islâmico da AlQaeda pela Ásia e África, patrocinado pela monarquia saudita. O Marxismo e a Social-Democracia se revelaram regimes falhos em superar os problemas do Capital, e cabe ao Anarquismo o protagonismo de deter os avanços da direita e se apresentar como uma legítima proposta de construção de um mundo livre. Uma lógica que vem sendo comumente vista entre os revolucionários contemporâneos é que aquele que se opõe ao seu adversário é, obviamente, um aliado. Lógica essa que vem de encontro aos antigos anarquistas que, apesar de saberem adotar certas posturas estrategicamente, nunca se calaram diante dos diversos inimigos para “escolher um lado”. Vemos isso nos atuais acontecimentos do Oriente Médio. Israel, um pais que apela para um forte expansionismo movido por um nacionalismo doentio e uma justificativa religiosa etnocêntrica, apoiado pelos Estados Unidos da América, avança sobre terras dos palestinos, árabes que moram na região. É claro que nenhum socialista e libertário sério poderia se calar diante dessa ação digna dos nazistas, mas não fechemos os olhos diante dos fatos. Seria um governo palestino, sob o controle do Hamas ou Fatah, melhor?

O Irã, sob o governo dos Aiatolás, realiza uma opressão criminosa contra seu próprio povo e condena a forca os homossexuais. A Síria, por outro lado, vive uma guerra civil, onde o ditador chacina cruelmente seus opositores, e tendo seu governo possíveis ligações com milícias responsáveis pelo massacre de Houla, onde até crianças foram degoladas. Esses países formam um bloco “anti-imperialista”, aliados também da Venezuela bolivariana e da Coreia do Norte, mas que no fim, são apenas fantoches russos e chineses que não abandonaram suas rivalidades com os americanos e europeus desde a Guerra Fria. Por que deveríamos dar um tratamento “especial” a Cuba, que bem sabemos forçou anarquistas para a ilegalidade sob o risco de prisão? Hoje boa parte da esquerda ainda se prende a visão da Guerra Fria, a onde todas as forças anti-americanas são forças revolucionárias. Se nem naquela época isso foi verdade, quanto mais hoje. O Governo russo, muito defendido por certos partidos “comunistas”, estreita relações com a Frente Nacional francesa, de inspiração fascista.  Há até aqueles “socialistas” que nutrem simpatia pela AlQaeda. Para desafiar os Estados Unidos, devemos nos unir a ultranacionalistas, fundamentalistas religiosos, olicargas, mafiosos e totalitaristas (de esquerda e de direita)? Pois é o que muitos de nós hoje fazem.

Não somos nacionalistas, e sim internacionalistas. Nós somos anarquistas pois nossa solidariedade está com o povo. Nossos corações, com a justiça. Nós estendemos as mãos para todos os oprimidos do mundo. Aos dissidentes cubanos e aos presos em Guantánamo. Aos palestinos vítimas do Imperialismo e do Sionismo e aos árabes e israelenses alvos do terror religioso. Aos afegãos oprimidos pela OTAN e pelo Taliban. Aos iranianos reprimidos e aos egípcios perseguidos (pelos militares ou pelos islamitas). Estamos ao lado dos paquistaneses e indianos, dos norte e sul coreanos. Somos irmãos dos sul africanos e dos libianos. Amamos aos somalis e aos australianos. Quem são nossos inimigos? Os governos e as classes dominantes do planeta. Portanto, como diz o Hino da Internacional, paz entre nós e guerra aos senhores.

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